Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia mediram, cronômetro na mão, quanto tempo diferentes mamíferos levam para esvaziar a bexiga.

A resposta: cerca de vinte e um segundos. Praticamente todos os mamíferos acima de três quilos. Independentemente do tamanho. Um elefante tem uma bexiga milhares de vezes maior que a de um gato — e leva o mesmo tempo, porque a uretra maior compensa exatamente o volume maior. A gravidade faz a conta.

Eles ganharam um Ig Nobel. Merecidamente.

Para quem escreve ficção científica, esse tipo de coisa vale mais que uma boa ideia. Uma constante é um presente: é um número que atravessa espécies inteiras sem pedir licença, que não depende de cultura, de tamanho nem de opinião. Você não precisa justificá-la ao leitor. Ela já está lá, verdadeira, esperando alguém decidir o que ela significa.

Essa é, aliás, a diferença entre pesquisa e enredo. O cientista mede e publica. O romancista mede, publica e depois pergunta "e se isso não for coincidência?" — que é uma pergunta cientificamente irresponsável e narrativamente irresistível.

A constante mais democrática do universo conhecido é o tempo que se leva para fazer xixi. Se isso não é poesia cósmica, eu sou um pinguim.