Toda história precisa de alguém que saiba mais que o leitor e menos que o autor. O V.E.S.T.Í.G.I.O. — Verificador de Eventos, Sequências e Testemunhos Íntegros para Garantia de Integridade Objetiva — é essa pessoa. Só que não é pessoa.
Ele foi projetado para ser claro, paciente e neutro. Conseguiu um de três.
A função narrativa dele é simples e antiga: é o coro grego, é o Virgílio, é o sujeito que cutuca você no ombro no meio do filme e diz "repara nisso". A diferença é que ele tem humor oscilante por flutuação quântica nos núcleos de processamento — ou por falta de peixe, nunca ficou claro — e por isso alterna entre a melancolia de quem calculou todas as formas de tudo dar errado e acertou na maioria, e um entusiasmo alarmante.
O cachecol também não é enfeite, mas essa explicação ele mesmo dá no prefácio, e prefiro não roubar a fala dele.
O que posso dizer é o problema que ele resolve. Uma história espalhada por vários mundos tende a virar um aeroporto: muita gente, muito idioma, nenhum lugar onde o leitor consiga sentar. Eu precisava de uma voz única que atravessasse tudo isso sem virar manual de instruções.
Às vezes a solução mais elegante para um problema estrutural é um pinguim.