O Julodimorpha bakewelli é um besouro australiano grande, marrom e brilhante. As fêmeas também são grandes, marrons e brilhantes. E as garrafas de cerveja descartadas no interior da Austrália são, coincidentemente, grandes, marrons e brilhantes — só que do jeito errado.

Os machos escolheram as garrafas.

Não foi um caso isolado. Foi generalizado o suficiente para virar estudo publicado, e o estudo virou um Ig Nobel — o prêmio dado a pesquisas que primeiro fazem rir e depois fazem pensar. A espécie chegou a entrar em risco por causa disso. Precisaram redesenhar as garrafas.

O que me pegou não foi a piada. Foi a descrição do comportamento: o macho não desiste. Ele fica ali, insistindo, com sinceridade total, tentando se comunicar com algo que não faz a menor ideia de que ele existe.

É difícil ler isso e não pensar em outra coisa. Guardei o besouro numa pasta de anotações por anos antes de saber o que fazer com ele. Ele acabou entrando no Livro I — e não vou dizer como, porque a graça é encontrar.